2º CAPÍTULO “ O Sonho Torna-se Realidade “
Comecei a trabalhar em Janeiro de 1994 e em Janeiro de 1996 comprei finalmente o meu primeiro Jaguar, um sonho tornado finalmente em realidade, foi precisamente no dia 5 de Janeiro de 1996, era o dia dos meus anos e fiz questão em dar de prenda a mim próprio o que mais ambicionava, um Jaguar.

A escolha caiu obrigatoriamente sobre um carro usado e já com alguns anitos, pois o dinheiro ainda era pouco, foi um XJ6 Serie II 4.2 SWB, com o seu 1º registo feito a 30 de Agosto de 1974. O seu primeiro proprietário era de Stº Tirso, cidade de grande carácter industrial, pelo que o carro tinha sido comprado novo por um conhecido empresário da região. O carro tido sido importado na altura pelo representante da época da Jaguar em Portugal a firma J.J Gonçalves, Lda., aos dias de hoje ainda guardo religiosamente o certificado de garantia deste carro.

Depois deste 1º proprietário tinha tido mais 3 antes de chegar às minhas mãos. A sensação de comprar finalmente um Jaguar num dia tão especial para mim foi tal que no final desse mesmo dia prometi a mim mesmo que sempre que pode-se iria repetir este acto, situação que se veio a verificar por mais 3 ocasiões, honrando desta grandiosa forma um dia tão importante da minha humilde existência.

Comentário “A partir desta data o mês de Agosto passou a ser de grande relevo na minha vida”, como se verá na coincidência deste capítulo.

O carro era de cor pinhão no exterior (castanho claro), com os interiores em castanho claro, em termos de mecânica estava bom e não tinha ponta de ferrugem, mas isso não era o suficiente para mim, pois não estava “como novo”, logo houve que por mãos à obra para um restauro digno do nome que ostentava.

No entanto para um carro de serie datado de 1974, a que salientar o equipamento de serie que trazia tal era o avanço tecnológico deste carro para a altura, a saber:
Direcção Assistida ; Fecho Central ; 4 Vidros Eléctricos ; Ar automático ; Ar condicionado ; Caixa manual de 4 velocidades + Overdrive (5ª velocidade); Travões de disco às 4 rodas, 4 amortecedores no eixo traseiro, antena de recolha eléctrica etc……
Sabiam que a iluminação do painel de instrumentos destes carros já era feita com cabos de sílica que terminavam numa lente que projectava a luz para dentro dos instrumentos, só estamos a falar dos antecessores directos da fibra óptica.

A partir deste dia passei todos os fins-de-semana dos 18 meses que se seguiram a concretizar o restauro integral do carro, que incluiu uma “ tonelada” de peças novas vindas de Inglaterra, limpeza e restauro de todos os interiores incluindo estofos, pintura e pneus novos, e muitas muitas idas à cromagem, até as matriculas da época foram novas e feitas à mão.

Para concretizar este projecto contei com a experiência de quem sabia muito mais do que eu, do Sr. Osório, já falecido e do Sr. Leonel Trindade, tendo sido o 1º um dos sócios gerentes do “Osório e Trindade” garagem especializada em reparação de Jaguares na Rua da Constituição no Porto e que tinha tomado a posição de representante oficial após a extinção da J.J Gonçalves. O Leonel Trindade ainda possui uma oficina de caros clássicos especializada em modelos ingleses perto do museu do Eléctrico, junto ao rio Douro. Para realizar este projecto de restauro integral também foi necessário comprar muitos livros da especialidade e gastar muito dinheiro, mas foi sem dúvida um grande projecto, tão grande que fiquei dele “prisioneiro”.

Em Agosto de 1997 o restauro estava pronto e o carro parecia ter acabado de sair de um stand da Jaguar.

Depois deste momento que tanto ambicionei durante 18 meses, poucas vezes consegui tirar o carro da garagem para andar, pois sempre que o fazia ia como se diz, “com o coração nas mãos”, o carro tinha demasiado da minha dedicação e trabalho, pelo que evitava de desfrutar dele com receio que algo lhe sucede-se, diz o meu pai que sempre que o punha a trabalhar no momento de virar a chave suspendia a respiração

, só voltando a respirar depois de ouvir o motor a trabalhar certinho, trabalhava como um relógio Suíço.

Um dia resolvi que não podia continuar assim, tão dependente e até “escravo” do carro pelo que resolvi em Maio de 1996 tomar uma medida drástica com vista a por um ponto final em tal dependência, vender o carro.

O carro foi vendido quase de imediato a um engenheiro que possuía uma colecção particular de carros antigos, e que era cliente do Leonel Trindade e que andava atrás de um Jaguar em estado impecável, como o Leonel conhecia o meu carro e o seu restauro deu-lhe o meu contacto e lá foi o meu serie II.

Nunca mais o vi e não sei se ainda existe ou se ainda rola algures nas nossas estradas, mas tenho muitas saudades dele. Os meses que se seguiram foram tristes e apáticos sentia um enorme vazio dentro de mim e cheguei por fim á triste conclusão que me tinha precipitado e tomado uma atitude drástica de mais, passei a ser um homem triste

, faltava-me algo, conclui no final do ano que não podia viver e ser feliz sem ter o prazer de ter pelo menos um “bichano” na garagem nem que fosse só para admirar, caso não tivesse coragem de nele andar. Foi quando pensei que talvez em vez de ter um clássico se tivesse um carro mais recente e fiável talvez conseguisse usufruir mais do mesmo saindo com ele com mais frequentemente

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Coincidência: “O 1º Jaguar tinha o seu 1º registo de Agosto de 1974, em 2000 casei no mês de Agosto com a mulher da minha vida cuja data de nascimento é precisamente de Agosto de 1974, fomos levados ao altar num belíssimo Jaguar 420G de 1969 ”

Um abraço,
Jagu/LJ
Nota: Amanhã envio o 3º Capítulo.