Caros Amigos,
Embora como se diz cá no Porto, já tenha posto o “carro à frente dos bois”, pois já tenho participado neste fórum, sem antes me ter apresentado devidamente, fica aqui a minha apresentação formal que espero vos dei-a tanto gozo a ler, como me deu a escrever relembrando desta forma um passado já algo distante.
O meu nome é Luis Jorge, sou um jovem de 40 anos á já muitos anos aficionado compulsivo da marca “Jaguar/Daimler” da casa de Coventry. Tudo começou em 1989 tinha eu 20 anos, não foi tão cedo como o nosso amigo “Black Cat”, um abraço Jorge Machado, que pelo desafio proposto é o único responsável de hoje eu aqui estar a contar o meu legado ao qual para vou intitular de “Coincidências da Vida” e dividir em capítulos temporais para ser menos maçador e facilitar o vosso entendimento.

1º CAPITULO “ Como Tudo Começou “
Estávamos pois no ano de 89, era eu ainda estudante do ensino superior no porto e tinha um grande amigo de curso que era de Lisboa e que frequentava a minha casa para se sentir menos deslocado do seu seio familiar, até aqui tudo normal. Um dia em altura de férias da Páscoa, nem de propósito pois está breve a data, querendo esse mesmo amigo retribuir a minha hospitalidade, convidou-me para ir passar uma semana a casa dele a Lisboa, mais concretamente no Restelo. Acabei por aceitar e mal acabaram as aulas partimos no Citroen 2 CV que ele tinha com destino a Lisboa, uma viagem de autêntica paciência como devem compreender. Quando lá chegamos, e para quem conhece a zona, a casa não era casa, mas sim um casarão, com tudo o que se possa imaginar, piscina, sauna, elevador interior, jardins interiores e exteriores, zona de pinhal etc. Ainda estava eu de boca e aberta a conhecer as zonas de lazer exteriores, quando vejo chegar um imponente Jaguar XJ6 série I, cor prata com o interior preto, que me ofuscava o olhar de tanto brilhar sobre a luz do sol desse final de tarde. O meu amigo exclamou, Anda chegou o meu pai, vou apresentar-te”, a partir desse momento já nada à minha volta passou a ter qualquer interesse, a não ser aquele imponente e fabuloso carro, o pai bem, era um senhor no sentido lato da palavra dos seus magníficos 84 anos, leram bem 84 anos, saiu do carro, tirou as luvas pretas perfuradas de condução e pergunta, “ Então presumo que este seja o Luis do Porto, que tanto falas?....., seguiram-se os cumprimentos da praxe. Como é óbvio eu não conseguia disfarçar o fascínio pelo carro, pois não tirava os olhos deste, era tão evidente que levou o pai do meu amigo a perguntar:
- “Então Luis, pelo seu olhar que não sai do carro presumo que gostes de Jaguares?”
Ao que respondi:
- “Não sei, nunca tinha visto um, pelo menos tão de perto, mas estou efectivamente encantado, parece estar como novo!”

-“Sim, comprei este carro em 1969, e desde então é o meu carro preferido, já temos muitas histórias juntos…., este vai comigo para a cova”, exclamou rindo em grande gargalhada.
Então respondi, “ Então o carro tem a minha idade, pois também nasci em 1969”

E ele continuou,
-“ Está visto que o ano de 69 foi de excelentes colheitas.”
E continuou,
-“Bem, então está decidido, hoje pago o jantar, vamos jantar ao Casino do Estoril, e levamos o Jaguar que vos parece ??.., assim o Luis pode apreciar o que é um Jaguar no verdadeiro sentido da palavra.”

O convite foi imediatamente aceite, e lá fomos nós numa viagem de sonho, para mim, pela marginal fora com destino ao Casino do Estoril.
Durante a viagem, que rezava para chamais não acabar, lembro-me do conforto do carro, da mistura dos cheiros da pele com a madeira, de todos aqueles indicadores e interruptores que o pai do meu colega fazia o favor de me explicar para que serviam. No final fiquei com a sensação de ter andado de avião e não de carro.
Enfim foi uma noite inesquecível, a partir deste dia nunca mais dormi da mesma maneira, a partir desse dia sempre adormeci a sonhar com estes soberbos Felinos de 4 rodas, pior ainda comecei a sonhar acordado com a ambição de talvez um dia poder vir a ter um ou talvez vários, o destino e a força de vontade seriam os seus decisores, e assim foi.
Coincidência: “O carro tinha a minha idade, sendo ambos de 1969”
Amanhã segue o 2º Capitulo.
Um abraço,
Jagu/ LJ